[ENTREVISTA] Os produtores do “Dona de Mim” nos contaram detalhes da produção do álbum.
03/07/18

Com 2 meses de lançamento do novo hinário brasileiro, o amor só aumenta. O Dona de Mim tem tido um desempenho notável para uma artista pop estreante, foi por causa disso que decidimos tentar entender um pouco mais sobre toda a trajetória da criação até chegar ao produto final, desta forma, convidamos os produtores do álbum, os “3 catiorros” (como eles mesmo se chamam): Pablo Bispo, Sérgio Santos e Ruxell, pra responder pra gente algumas perguntinhas e matar nossa curiosidade.

Os três já se envolveram em diversas produções de sucesso atualmente, com artistas como Gloria Groove, Di Ferrero, Aretuza Lovi… a lista é enorme!

Embrazados F.C #iza #pop

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IL: Pra começar, como é trabalhar com IZA? Como vocês conheceram a fada e como foi a relação de vocês com ela na produção do Dona de Mim?

CATIORROS: “Trabalhar com ela é muito bom, ficamos amarradões pois ela sabe o que quer e isso já facilita bastante as coisas. Ela tem uma energia muito positiva, gosta do mesmo tipo de som que a gente, pra nós é uma honra, um prazer trabalhar com ela, além dela cantar pra caramba, melhor cantora que temos aqui. Então pra gente, trabalhar com uma artista assim, é tipo um sonho maravilhoso! Conheci  ela um pouco antes (Sérgio), porque tiveram algumas reuniões antes dela fechar contrato com a gravadora, foi aqui no estúdio, ela chegou a gravar um cover também e logo depois começou a procura de repertório, e produções, fomos nos unindo pra fazer as músicas. Antes do processo de composição do álbum, tínhamos trabalhado indiretamente. Uma música que tinha beat do Ruxell, masterização  minha e a letra do Pablo, mas depois acabamos entrando todos juntos na procura de identidade para começar o álbum.

Pablo Bispo e IZA em estúdio.

IL: Qual a faixa mais difícil de produzir? Existe alguma que levou mais tempo que o normal pra ser feita?

CATIORROS: Tem música que sai bem mais fácil, e tem música que demoramos um pouco para acertar. Sim, Ginga foi um pouco mais complicada de se fazer, pois estávamos com o disco quase pronto, e como Pesadão estourou, e a galera conheceu a IZA por Pesadão, precisávamos de mais opções pra ser um próximo single, então tínhamos que tomar bastante cuidado, tanto com temática, com abordagem, sonoridade. Fizemos 3 músicas que foi Linha de Frente, Ginga e Corda Bamba, foram as 3 últimas músicas, tanto compostas, como produzidas. Mas Ginga, por ser um próximo single, música de rádio, teve algumas idas e vindas. A letra até “matamos” mais rápido, mas a produção ficamos um pouco na dúvida, então por isso foi a que demorou mais.

 

IL: Enquanto produzem o álbum rola alguma discordância entre vocês? Se sim, como vocês resolvem isso na hora de decidir?

CATIORROS: Sim, claro! Normal, a coisa mais normal do mundo, por isso somos um grupo, às vezes 3 ou 4 pessoas, e confiamos no bom gosto uns dos outros.. Tem coisas que todos já vão direto, mas tem músicas  que discordamos em relação a produção, a levada, BPM, letra, por estarmos em grupo, fazemos votação e se maioria gostar, a minoria vai saber que será algo melhor, pois confiamos muito no trabalho um do outro.

Os Catiorros em estúdio.

IL: Quais as influências musicais que vocês possuem e quais destas influências vocês trouxeram para o álbum?

CATIORROS: Gostamos de tudo na verdade, desde música popularzona, funk, pagode, axé das antigas, até coisas mais poéticas, de Djavan à Gil, gostamos de música boa!  E conseguimos levar de tudo que a gente gosta para o disco. Abrangemos uma gama de estilos bem grandes, se for separar por estilos, tem reggae com trap, reggae com trap ainda mais pesado, tem ragga, tem coisas mais afro, tem reggaeton, samba com trap, balada e violão. Conseguimos transitar em tudo, em quase todas as influências que temos, que obviamente faziam sentido na concepção do álbum da IZA, para não parecer uma salada de frutas. Apesar de todas as músicas terem suas características, o disco tem sua sonoridade e sua identidade. E esse foi o maior desafio, que era como fazer tudo e não parecer uma salada de frutas. E deu certo!

IL: Vimos que um dos compositores de “Você Não Vive Sem” é Ronaldinho Gaúcho, como a música chegou até vocês e a IZA?

CATIORROS: Essa é uma das curiosidades da ficha técnica, o Pablo já tinha trabalhado com o Ronaldinho em outras composições, tem uma galera que sempre compõe junto e as músicas ficam lá até alguém ouvir e dizer “essa música cabe pra tal artista”. E foi através do Jhama (que também é um dos compositores da música), que nos mostrou a música e a gente gostou bastante, no final a música entrou.

 

IL: O Dona de Mim tem tido muitas críticas positivas, não só de especialistas, mas principalmente dos fãs. Vocês esperavam? E como lidam com as críticas negativas?

CATIORROS: Graças a Deus, estamos muito felizes, que a crítica está gostando, tanto os fãs como as pessoas que escrevem sobre o assunto, a galera do meio musical, temos tido um feedback bem positivo. E não é querer parecer rude nem nada, mas meio que já esperávamos, tinha realmente uma expectativa em cima do disco da IZA, porque ela era uma artista que estava despontando, com um puta potencial e precisava dar esse passo a mais na carreira, e era justamente o álbum que faria isso, e estamos cumprindo os objetivos. E não vimos nenhuma crítica negativa ainda, algumas pessoas não gostam de tal música, ou de tal estilo, mas a pessoa tem o direito de não curtir. Pra nós é normal, isso acontece em qualquer disco, mas uma resenha crítica negativa não chegou até nós.

 

IL: Qual a faixa favorita de cada um de vocês?

CATIORROS: Sérgio: LADO B | Ruxell: Pesadão | Pablo Bispo: Linha de Frente.

 

IL: Foi fácil entender a proposta que a IZA queria trazer para álbum? Como funciona esse processo de tentar entender a visão do artista pra poder criar com ele?

CATIORROS: IZA sabe muito bem o que ela quer e o que ela não quer também, então isso é algo que construímos juntos. Também existe a opinião da gravadora, existe uma galera que trata a parte artística e decide junto quais caminhos a seguir. Pra nós é um trabalho muito natural, acreditamos que todo compositor e produtor deveria fazer isso com o artista, ao invés de sair mandando música, para que no final as músicas não corram o risco de serem rejeitadas. Como é um processo que construímos juntos, descobrimos quais mensagens queremos mandar, os temas que iremos abordar e também a sonoridade. O que facilita é o fazer junto.

IZA e Sérgio Santos em estúdio.

IL: No processo de produção do álbum, a gente imagina que muitos outros materiais são produzidos mas acabam sendo descartados. Como ocorre essa decisão do que sai e do que entra no álbum? No Dona de Mim houve muita música que não entrou?

CATIORROS: Existem algumas músicas que chegamos a produzir mas que por algum motivo caíram. No processo de produção do disco, principalmente pra um artista novo como a IZA, onde a música pode chegar na rádio e na TV a gente precisa ter muita atenção com os temas que iremos abordar, com quais bandeiras vamos levantar e como fazer tudo isso de uma maneira que fique legal. Então é normal a tentativa e o erro, existe material descartado por não ter se encaixado no conceito, há um processo de refinamento que é discutido entre todos da equipe.

 

 


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